segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O dia das bruxas

Quando criança, meu sonho era comemorar o dia das bruxas. Tinha algo nessa festa que, analisando hoje, vejo porque eu gostava: o rebaixamento das abomináveis criaturas das trevas em algo cômico e banal. Entretanto, meu principal motivo de admiração era, e ainda é, a crença no poder transcedental do açúcar. Sim, caros, o açúcar é algo mágico! Duvidam?


Suponha que você é um homem. Desse tipo que até gosta de Clarice Lispector, mas jamais teria um livro dela na sua lista de favoritos (qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência). Você não sabe escolher roupas nem há, para você, gradação na paleta de cores de esmalte que as mulheres usam (existe mais de 8 cores?). Entretanto, aqui começa seu destino trágico: você tem uma amiga que faz aniversário, e você não quer arriscar um livro ou cd, ou por não ser Phd no gosto musical dela ou por vergonha de ter de entrar na fila do caixa com um cd do Luan Santana ou do Jorge Vercilo. O que faz? Chocolate, a bênção de Montezuma.


Essa vale uma tese de doutorado: O açúcar é o pai da gula. Quantas outras coisas (além do sexo e dinheiro) você conhece que são fontes de prazer e de pecados capitais ao mesmo tempo? Tenhamos mais respeito por esse maravilhoso pó branco, que, combinado com outros igualmente indispensáveis para uma vida feliz (falo de sal e farinha de trigo, para aqueles que tem juízos preconceituosos), tornam nosso cotidiano mais alegre.


Isso sem falar que ele é algo que cria semelhanças entre os maiores desafetos políticos: Cuba produz açúcar como ninguém e os EUA consomem açúcar como ninguém (ainda que eu duvide que seja o açúcar de beterraba Fideliano, o consumido nas terras de Obama). Comunismo e capitalismo unidos pela diabete.


Por tudo isso, eu gostaria de mandar o discurso anti-imperialista tapar os ouvidos por alguns instantes e pedir para que celebremos o Halloween. Pensando bem, dane-se as fantasias e apenas me entreguem guloseimas. Quer saber, o Diabo que carregue o Halloween também, e comamos muitos doces todos os dias!!!!




"É você, Satanas? Espera um instantinho que eu já vou servir o jantar: um menino bem gordo. QUEM ESTÁ AÍ?"


"Outro gatooooo"


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Novo professor de Latim

Recentemente fui informado que o departamento de Latim contratou um funcionário dedicado apenas ao ensino do caso acusativo singular:





Silvius Santus Abravanelis
"Maysammm, Patriciammmm roda a rodammmmm"


PS: Não gostou? Sem problema, eu também não.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A história secreta do Diabo




A história do carregador da luz, Lúcifer, para os íntimos da nomenclatura latina, foi sumariamente reduzida pela cultura geral: ele era um anjo que rebelou-se contra Deus e construiu uma espécie de novo reino para si. Porém, há alguns detalhes que recentemente tomei conhecimento por uma fonte, que, se não se importam, não citarei.

Enquanto ainda era funcionário celestial, o diabo ficou profundamente incomodado com o regime de serviço que o Senhor lhe impunha. Afinal, o trabalho era gigantesco e o reconhecimento quase nulo. Então, o Diabo passou a se dedicar a tentar conscientizar seus colegas de trabalho com sua opinião. Com o passar do tempo, o Diabo acabou valorizando mais a propaganda de suas idéias do que o serviço que tinha para cumprir, e tornou-se comum vê-lo andando pelos corredores, e pelas oficinas dos santos e dos anjos com panfletos e convocando para debates sobre a condição do anjo pós-moderno (sim, é daí que esse jargão tão elegante teve origem).

Um dia, Deus, do alto de sua paciência quase infinita, cansou-se e o chamou para uma conversa particular. Inflamado, o Diabo disse que estava cansado daquele tipo de organização que existia e que iria fundar um novo partido que seria o exato antípoda do paraíso, ficando no fundo da terra. Enfeitou o novo ambiente com caldeirões de breu e fogo e escolheu a cor vermelha para as paredes

Para começar seu governo, o Diabo uniu-se aos pré-cristãos que vagavam pela terra, pois tiveram a entrada proibida no paraíso por cometerem o enorme pecado de nascerem antes de Jesus. Passo a passo, o novo reino começou a se formar. Porém, o Diabo logo começou a achar que seus parceiros pagãos nem de longe eram tão brilhantes quanto ele, e que, portanto, o mais sensato seria que fosse ele, e apenas ele, a ficar com o poder absoluto, apenas por um tempo, pelo menos. Não tardou muito, ele se tornou tão autoritário quanto Deus e seu modo de conduzir que tanto criticava. Não pensou duas vezes, baniu-os para o limbo, onde estão até hoje.

Nossa conversa se estendeu por uma tarde, os demais detalhes eu talvez publique futuramente. O mais interessante, entretanto, foi a reflexão com a qual essa minha fonte encerrou sua história: "O Diabo foi o primeiro comunista: cansou-se do trabalho, abdicou dele em nome da conscientização, fez uma revolução pela igualdade, concluiu que, em verdade, ele era o dono da razão, e, aquele partido de cor vermelha, que começou cheio de boas intenções, virou um inferno."


PS: Outro nome que eu pensei em dar para essa postagem era "Marcello, um desiludido político", mas, ficaria muito sério. Isso é só uma brincadeira, se você quer ler coisas sérias, está no blog errado.

PS2: Eu adoro PSs.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Com que dor no coração

Doeu, mas eu achei necessário fazer essa compilação de frases ruins ou inusitadas de grandes compositores. Sinto-me livre e um pouco mais imparcial ao satirizar pessoas que eu sempre tomei como exemplo e continuo achando acima da média. Muitos outros não entraram por falta de tempo e espaço.

Lenine
"O medo é medonho" - Definição digna do Aurélio.
"Eu fumo um e fumo dois, e guardo oito pra fumar depois" - Sem palavras
Zeca Baleiro
"Baby, vem viver comigo no mundo dos negócios. Traz o teu negócio, junto ao meu negócio" -Fusão empresarial ou metáfora sexual?
"Por Jesus, caio no Blues" - Já imaginaram Jesus tocando com B.B. King?
Djavan
"Tudo que Deus criou pensando em você: fez a Via Láctea, fez o dinossauro" - Que aparência terá essa mulher?
"Um lobo correndo em círculos para alimentar a matilha" - Entendo, afinal, "alcatéia", apesar de ser o coletivo certo, não rimaria com "ilha".
Chico Buarque
"Você vai se dar mal, etecétera e tal lalaiá lalaiála" - Se eu rimasse assim, seria crucificado.
"Amar uma mulher se orifício" - Esquisita? Que nada.
Zé Ramalho
"Meus vinte anos de boy, that's over baby. Freud Explica" - Acho que nem ele...

PS: Tudo isso passou por nossas cabeças: estão fora de contexto, não entendi o verdadeiro significado, fazem um sentido maior com a melodia, sou jovem demais para entender, "O Chico pode, né?".
PS2: Isso é apenas uma brincadeira. Se fiquei remotamente parecido com Reinaldo Azevedo nesse texto, avise-me, para que eu pule imediatamente da ponta do prédio do Santander Banespa.
PS3: Esse aviso e o de cima parecem versões do Playstation.

terça-feira, 26 de julho de 2011

É diferente, vem com a gente...

Existem dois artistas, dentre tantos outros, que considero muito a opinião: O cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro e o cartunista argentino Quino. Existem duas frases que encontrei em suas obras que convergem na mesma direção. Na canção de Zeca, que atende pelo nome de Samba de um Janota só (Janota significa "idiota", e talvez o mais interessante seja o fato que esse samba tem um ritmo caribenho), perto do final, a seguinte frase é proclamada pelo cantor: "Eu penso que se todos quiserem ser diferenciados, no final, serão todos iguais".

Numa tira de Mafalda, a pequena pensadora encerra os quadrinhos com um comentário a respeito da postura de Miguelito, que, apesar de não saber o que vai ser quando crescer, afirma que não será apenas mais um do "montão": "Mais um que faz parte do montão dos que não querem pertencer ao montão".

Caso não tenha ficado claro, a minha postura é a seguinte: não é porque algo faz sucesso que não seja bom, e não é falando mal daquilo que não é "maldito" (sua benção, Macalé) unicamente por essa característica, que você, caro intelectual, estará acima da tão criticada "massa". Nesse gosto por ser diferente, contrário e, talvez, indefinível, seremos iguais a tantos outros também....


PS: Que diabo de postagem amarga, não?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quando um amigo me mostra algo "engraçado" na internet...

Em geral, é isso que acontece:






Mas, de vez em quando, é engraçado de verdade.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Fora da Ficção...

José acordou no meio da noite sem saber ao certo o motivo de um ruído estranho que acontecera ao lado de fora. Seu cachorro latia muito, aborrecido.
Havia anos que abandonara todas as superstições e tolices sobrenaturais que agora chamava infantis. Ainda assim, apanhou o bastão mais próximo e rumou para fora da porta.
-O que foi, Rex?
Logo percebeu a origem dos latidos: a bolinha verde limão de brinquedo estava presa abaixo da casinha e o animal (o cachorro, no caso) não podia apanhá-la. Apesar de breve o distúrbio, achou que não conseguiria dormir outra vez, e então, se encaminhou para o banheiro. Fitou sua imagem cansada no espelho por alguns segundos, e teve impressão de que um vulto se mexia logo atrás: não passou de impressão. Baixou o rosto momentaneamente enxaguando-o e tornou a se olhar no espelho, viu refletida uma imagem disforme, mas não gastou mais que alguns intantes para perceber que era seu rosto não muito belo.
Porém, passaram-se alguns segundos, e as luzes se apagaram repentinamente. Logo, porém, constatou que apoiara as costas no interuptor.

Lembrou-se então que teria de trabalhar no dia seguinte, que nunca segurara na vida um revólver ou uma espada (ainda menos um varinha mágica), que nunca vira nada fora do comum e que suas "aventuras" não encheriam sequer meia página de best-seller. Foi dormir com a paz que só a vida banal de um zé-ninguém pode oferecer.