quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A história secreta do Diabo




A história do carregador da luz, Lúcifer, para os íntimos da nomenclatura latina, foi sumariamente reduzida pela cultura geral: ele era um anjo que rebelou-se contra Deus e construiu uma espécie de novo reino para si. Porém, há alguns detalhes que recentemente tomei conhecimento por uma fonte, que, se não se importam, não citarei.

Enquanto ainda era funcionário celestial, o diabo ficou profundamente incomodado com o regime de serviço que o Senhor lhe impunha. Afinal, o trabalho era gigantesco e o reconhecimento quase nulo. Então, o Diabo passou a se dedicar a tentar conscientizar seus colegas de trabalho com sua opinião. Com o passar do tempo, o Diabo acabou valorizando mais a propaganda de suas idéias do que o serviço que tinha para cumprir, e tornou-se comum vê-lo andando pelos corredores, e pelas oficinas dos santos e dos anjos com panfletos e convocando para debates sobre a condição do anjo pós-moderno (sim, é daí que esse jargão tão elegante teve origem).

Um dia, Deus, do alto de sua paciência quase infinita, cansou-se e o chamou para uma conversa particular. Inflamado, o Diabo disse que estava cansado daquele tipo de organização que existia e que iria fundar um novo partido que seria o exato antípoda do paraíso, ficando no fundo da terra. Enfeitou o novo ambiente com caldeirões de breu e fogo e escolheu a cor vermelha para as paredes

Para começar seu governo, o Diabo uniu-se aos pré-cristãos que vagavam pela terra, pois tiveram a entrada proibida no paraíso por cometerem o enorme pecado de nascerem antes de Jesus. Passo a passo, o novo reino começou a se formar. Porém, o Diabo logo começou a achar que seus parceiros pagãos nem de longe eram tão brilhantes quanto ele, e que, portanto, o mais sensato seria que fosse ele, e apenas ele, a ficar com o poder absoluto, apenas por um tempo, pelo menos. Não tardou muito, ele se tornou tão autoritário quanto Deus e seu modo de conduzir que tanto criticava. Não pensou duas vezes, baniu-os para o limbo, onde estão até hoje.

Nossa conversa se estendeu por uma tarde, os demais detalhes eu talvez publique futuramente. O mais interessante, entretanto, foi a reflexão com a qual essa minha fonte encerrou sua história: "O Diabo foi o primeiro comunista: cansou-se do trabalho, abdicou dele em nome da conscientização, fez uma revolução pela igualdade, concluiu que, em verdade, ele era o dono da razão, e, aquele partido de cor vermelha, que começou cheio de boas intenções, virou um inferno."


PS: Outro nome que eu pensei em dar para essa postagem era "Marcello, um desiludido político", mas, ficaria muito sério. Isso é só uma brincadeira, se você quer ler coisas sérias, está no blog errado.

PS2: Eu adoro PSs.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Com que dor no coração

Doeu, mas eu achei necessário fazer essa compilação de frases ruins ou inusitadas de grandes compositores. Sinto-me livre e um pouco mais imparcial ao satirizar pessoas que eu sempre tomei como exemplo e continuo achando acima da média. Muitos outros não entraram por falta de tempo e espaço.

Lenine
"O medo é medonho" - Definição digna do Aurélio.
"Eu fumo um e fumo dois, e guardo oito pra fumar depois" - Sem palavras
Zeca Baleiro
"Baby, vem viver comigo no mundo dos negócios. Traz o teu negócio, junto ao meu negócio" -Fusão empresarial ou metáfora sexual?
"Por Jesus, caio no Blues" - Já imaginaram Jesus tocando com B.B. King?
Djavan
"Tudo que Deus criou pensando em você: fez a Via Láctea, fez o dinossauro" - Que aparência terá essa mulher?
"Um lobo correndo em círculos para alimentar a matilha" - Entendo, afinal, "alcatéia", apesar de ser o coletivo certo, não rimaria com "ilha".
Chico Buarque
"Você vai se dar mal, etecétera e tal lalaiá lalaiála" - Se eu rimasse assim, seria crucificado.
"Amar uma mulher se orifício" - Esquisita? Que nada.
Zé Ramalho
"Meus vinte anos de boy, that's over baby. Freud Explica" - Acho que nem ele...

PS: Tudo isso passou por nossas cabeças: estão fora de contexto, não entendi o verdadeiro significado, fazem um sentido maior com a melodia, sou jovem demais para entender, "O Chico pode, né?".
PS2: Isso é apenas uma brincadeira. Se fiquei remotamente parecido com Reinaldo Azevedo nesse texto, avise-me, para que eu pule imediatamente da ponta do prédio do Santander Banespa.
PS3: Esse aviso e o de cima parecem versões do Playstation.

terça-feira, 26 de julho de 2011

É diferente, vem com a gente...

Existem dois artistas, dentre tantos outros, que considero muito a opinião: O cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro e o cartunista argentino Quino. Existem duas frases que encontrei em suas obras que convergem na mesma direção. Na canção de Zeca, que atende pelo nome de Samba de um Janota só (Janota significa "idiota", e talvez o mais interessante seja o fato que esse samba tem um ritmo caribenho), perto do final, a seguinte frase é proclamada pelo cantor: "Eu penso que se todos quiserem ser diferenciados, no final, serão todos iguais".

Numa tira de Mafalda, a pequena pensadora encerra os quadrinhos com um comentário a respeito da postura de Miguelito, que, apesar de não saber o que vai ser quando crescer, afirma que não será apenas mais um do "montão": "Mais um que faz parte do montão dos que não querem pertencer ao montão".

Caso não tenha ficado claro, a minha postura é a seguinte: não é porque algo faz sucesso que não seja bom, e não é falando mal daquilo que não é "maldito" (sua benção, Macalé) unicamente por essa característica, que você, caro intelectual, estará acima da tão criticada "massa". Nesse gosto por ser diferente, contrário e, talvez, indefinível, seremos iguais a tantos outros também....


PS: Que diabo de postagem amarga, não?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quando um amigo me mostra algo "engraçado" na internet...

Em geral, é isso que acontece:






Mas, de vez em quando, é engraçado de verdade.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Fora da Ficção...

José acordou no meio da noite sem saber ao certo o motivo de um ruído estranho que acontecera ao lado de fora. Seu cachorro latia muito, aborrecido.
Havia anos que abandonara todas as superstições e tolices sobrenaturais que agora chamava infantis. Ainda assim, apanhou o bastão mais próximo e rumou para fora da porta.
-O que foi, Rex?
Logo percebeu a origem dos latidos: a bolinha verde limão de brinquedo estava presa abaixo da casinha e o animal (o cachorro, no caso) não podia apanhá-la. Apesar de breve o distúrbio, achou que não conseguiria dormir outra vez, e então, se encaminhou para o banheiro. Fitou sua imagem cansada no espelho por alguns segundos, e teve impressão de que um vulto se mexia logo atrás: não passou de impressão. Baixou o rosto momentaneamente enxaguando-o e tornou a se olhar no espelho, viu refletida uma imagem disforme, mas não gastou mais que alguns intantes para perceber que era seu rosto não muito belo.
Porém, passaram-se alguns segundos, e as luzes se apagaram repentinamente. Logo, porém, constatou que apoiara as costas no interuptor.

Lembrou-se então que teria de trabalhar no dia seguinte, que nunca segurara na vida um revólver ou uma espada (ainda menos um varinha mágica), que nunca vira nada fora do comum e que suas "aventuras" não encheriam sequer meia página de best-seller. Foi dormir com a paz que só a vida banal de um zé-ninguém pode oferecer.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Para Manuel Bandeira

Ensinaste-me humildade e ver musicalidade nas palavras.
ensinaste-me a valorizar o pequeno e aceitar a morte.
Ensinaste-me a ver poesia em tudo.
Ensinaste-me que há várias formas do amor.
E também que há várias formas de humor.

Ensine-me agora a fazer um ensaio sobre você que valha dez.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Na minha visita ao Psicólogo

-Pois não, Marcello, qual é o seu problema?
-Nenhum.
-Entendo... (o caso típico da não aceitação). Anda usando alguma droga, certo?
-Não, nunca usei nada.
-Ahh, sei... então sua religião não te permite e você gostaria de ter mais liberdade?
-Não, eu não uso porque não gosto. Sinceramente, se você precisa de alguma coisa para "abrir sua mente" você deve ser bem burrinho. E não sigo praticamente nenhuma reiligão.
-Entendo, e sua dúvida quanto a Deus lhe aflige...
-Não, eu não tenho problemas com isso: se eu acordar do outro lado da vida, ficarei feliz, se não... bom... não vou estar vivo pra lamentar.
-Já pude perceber que sua ironia revela uma vontade de ser engraçado para esconder seu caos interior.
-Eu acho que não, sabe. Eu sempre gostei de bom humor, eu assisto ao Chaves desde os três anos.
-Então seu trabalho é insatisfatório, você se mata ao longo do dia por algo que não lhe faz bem?
-De maneira nenhuma! Eu me mato sim, mas eu amo o que faço: Latim e Português.
-Olha aqui, rapaz, vai pro inferno, tá legal! Que diabos você tá fazendo aqui, então?
-Ora, doutor, todas as pessoas sérias do mundo vão ao psicólogo, psiquiatra e etc. Eu estava começando a me sentir superficial e burro por nunca, em dezenove anos, ter sentado em um divã.
-Ahh sei...
-O senhor se incomoda com isso?
-Não... o preço é cobrado por hora, não por satisfação com a consulta. Próximo!