quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Algumas comunidadades do Orkut que você pode (ou não) sentir falta

Não minta pra mim, você já teve Orkut. Eu não te condeno por tentar esconder isso, afinal, essa é uma atitude básica do ser humano (a por muitos chamada, pejorativamente, de "cuspir no prato que comeu"), basta pensar que, após encher o estômago, um apetitoso filé do restaurante mais nobre de São Paulo parece tão interessante quanto um churrasco grego numa travessa da Santa Ifigênia. Porém, como nada nunca é apenas flor ou espinho (com a benção de Nelson Cavaquinho), vamos lembrar de algumas comunidades que já fizeram nossa alegria ou desespero, a depender de cada um. Não se envergonhe, todos tivemos pelo menos alguma desta lista e, não sou o Conselheiro Aires, mas também perdoo a todos, como na ópera.

1) Comunidades obviamente lógicas: Todos já tiveram pelo menos uma. Seus títulos envolviam raciocínios complexos e absolutamente inovadores, do estilo: "Eu amo ser feliz", "Eu não gosto de ser triste", "Ser feio é foda" (essa tinha, ao menos, uma repetição de "efes"), "eu gosto de ter dinheiro"... Caso você não estivesse buscando, apenas, um "parceiro de atividades" (Há, te lembra disso?, como diria Altemar Vigário) mas sim o amor da sua vida, basta ver que, como vocês dois amam a felicidade, a compatibilidade é absoluta.

Sério Mesmo?

2) Comunidades homenageando um amigo: Bom, se você era um garoto não muito emotivo ou que não costumasse ou quisesse ser o amigo de todo mundo jamais haveria uma comunidade dessas dedicada a você. O processo é mais ou menos o seguinte: como o orkut foi pensado para ser um eterno elogio mútuo, existiam diversas formas de mostrar, publicamente, como se gostava de alguém (com o eterno intuito de uma mão lavar a outra). Uma delas era batizar uma comunidade de "Eu amo o Marcelitcho Zanfra", por exemplo, (lembrando que isso nunca existiu) e agregar a enorme quantia de 30 membros (naquelas de maior popularidade) além de criar um único fórum com uma temática que girava em torno de "Qual é a melhor história desse cara muito louco?" ou "Por que vocês adoram o Marcello?" (não preciso dizer que isso jamais ocorreu em realidade paralela alguma). Para que isso servia? Não sei, nunca fizeram uma pra mim (pausa para lágrimas)...

Esse cara era eu (quem não adora um cara desses?)

3) Comunidades de cronistas do cotidiano: Assuma, você já teve uma dessas! Todo mundo já teve um rebuliço quando viu que mais de cem mil pessoas gostavam de miojo cru, nunca terminaram uma borracha, abriam a geladeira pra pensar, não entendiam as vinhetas da MTV ou etecétera. O perigo que tal tipo de comunidade propriciava, contudo, era para algumas pessoas que buscavam apoio em grupo no Orkut e não encontravam: o tio do primo de um amigo da minha mãe, conta-se, cometeu suicídio ao não ter nenhum seguidor em sua comunidade "Pensei que era sorvete mas era dobradinha", todos tinham ido para a concorrência.

"Todo dia ela faz tudo sempre igual..."

4) Comunidades de gozadores do cotidiano: Esse grupo descende, diretamente, do anterior. Talvez cansados das comunidades supracitadas, eles se punham a fazer trocadilhos sobre o seu cotidiano, num resultado ainda mais deprimente do que o Zorra Total com uma participação especial do Pânico na TV. Provavelmente você já viu algo como, "eu faço aniversário no dia em que nasci", "nunca vi a minha nuca" e etc. Não vou criticar a concorrência...


Eu preciso contratar esse cara!

5) Comunidades que definem sua personalidade: Uma das coisas mais difíceis era definir quem você era naquele espaço do perfil. Para resolver isso, existiam trocentas comunidades (todas óbvias, obviamente) que definiam seu modo de ser. A saber: "Eu odeio gente falsa", "Eu sou tímida, e daí?", "Só legal, não tô de dando mole", "Fala na cara, seu bosta" (desculpe o palavrão, estou apenas citando). Era gostoso ver como muitas pessoas que diziam ser impossível se auto definir, tinham tantas comunidades mostrando sua personalidade. É o orkut sendo útil na vida de todos nós, vai ver é melhor saber quem somos por uma categoria previamente criada por outros...

Um caso típico...

6) Comunidades do Chaves: Segundo minha teoria, o orkut foi criado unicamente para atender uma demanda dos fãs de Chaves (eu, entre eles). Era um prazer indescritível ver uma comunidade nomeada com aquela frase brilhante de um dado episódio que você achava que apenas você conhecia. Se você tivesse comunidades do tipo: "Eu amo Chaves", "Chaves de Acapulco é o melhor", "Seria melhor ter ido ver o Pelé" você seria apedrejado como um poser, um ser humano indigno de carregar o título de fã de Chaves. Os verdadeiros seguidores tinham mais de 150 comunidades, uma espécie de maçonaria do pastelão, competindo para ver quem, ao mesmo tempo que desencavava as frases mais perdidas, conseguia o maior número de seguidores. (Certa vez tentei criar uma e consegui trinta membros)

Sigam-me os bons (o suficiente)

Mas afinal, só as criaturas que nunca criaram uma comunidade com menos de 10 membros é que são ridículas. (Álvaro de Campos / Fernando Pessoa/ Marcello Peres Zanfra)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Capcom anuncia um novo jogo da franquia Resident Evil...

Todo mundo odeia o Chris Redfield:

"Eu não preciso disso, meu marido tem dois consoles"


Estou com a impressão 
de que perdi meu emprego


Dados sobre o lançamento:
Este jogo custou 53 dólares e 27 centavos.
O Drew vem com munição infinita.
O Perigo disponibiliza qualquer arma ou spray de primeiros socorros.
Cuidado com Golpe-Baixo.
Por cinco dólares por dia, a Tonya não contará pra sua mãe que você saiu de noite pra matar zumbis.

Cara, você é muito louco.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Convertemos VHS para DVD

-Bom dia.
-Bom dia... a mocinha está bem? Está tão pálida.
-Cuide de sua vida.
-Tudo bem... o que deseja?
-Converter essa fita para o dvd. Os tempos modernos ferraram com o meu negócio.
-A senhorita não foi a única. Está mesmo se sentindo bem? Está tão molhada que parece que saiu da piscina agora.
-Já mandei ficar quieto.
-Certo, o serviço levaria apenas o tempo que a fita exige para passar no aparelho.
-O senhor vai assistir ao meu filme?
-Sim, é necessário: eu acompanho a fita passando na tv para garantir que nada dê errado.
-Já esperava.
-Quando a senhorita poderia vir buscar?
-Depois da conversão pronta? Eu te telefono, depois disso... sete dias.











Mas que piadinha de bosta...



sábado, 31 de março de 2012

Os aterrorizantes clichês

Não é exagero afirmar que os filmes de terror, ao lado das comédias (principalmente românticas) são as vertentes cinematográficas que mais apelam aos clichês. Ainda que falar mal deles e tentar escapar dos mesmos sejam, talvez, os maiores dentre os maiores clichês, eis algumas manias irritantes que os filmes de terror usam que conseguem deixar os espectador com a velha sensação do dejavu (que não é o infame grupo musical de tecnobega, tampouco o ainda mais ignorado grupo de mpb que entoa "jogas as chaves foraaaaaaaaaaaaaaaa....").


1) Calma, é tudo um sonho.
Lá está você, sentado após noventa minutos de sustos (ou pelo menos, tentativas de tanto). A trama foi se tornando cada vez mais complicada, e você acha praticamente impossível que o roteirista resolva as pendengas que deixou em aberto, ou que consiga justificar tantas coisas esrúxulas que foram pululando em sua tela. Lá está a mocinha, duelando contra dois espíritos, uma horda de zumbis e um Chuck Norris armado com uma pluma de ganso (nunca duvide da hablidade desse homem) quando, de repente, quando a morte parecia inevitável, a tela se clareia intensamente e a personagem volta de um coma induzido no hospital. Cabe a você, espectador, a sensação de ter sido feito de trouxa por um roteiro sem pé nem cabeça, uma vez, que, dentro da mente humana, como diria Tim Maia, vale tudo.
Alguns filmes tentaram inovar e mostram, pouco após a sensação de que tudo está bem, que a cara do médico é a mesma cara do espírito que encheu o saco dos protagonistas ao longo da película, ele dá um sorriso sacana, do estilo "o que é teu tá guardado" e os créditos começam a rolar. Gostaram da idéia, surgiu um novo clichê.
"Estou de saco cheio desses sonhos" Sigmund Freud, em correspondência trazida por Mercúrio a Marcello Zanfra


2) Variações do mesmo tema sem sair do tom
O arrependimento é, para o cristianismo e para o ser humano inteligente, um sentimento dos mais nobres. Todos temos do que nos arrepender, mas ninguém tanto quanto Bram Stoker. Drácula é um ótimo livro, a adpatação de Coppola, igualmente, é. Infelizmente, o simpático conde tem de aturar releituras das mais bizarras envolvendo seu nome, e recentemente, seu arquiinimigo o Professor Abraham Van Helsing, que, de um filósofo metafísico e ocultista, virou alguém semelhante ao Wolverine. "Drácula 2000", "Drácula contra-ataca", "Drácula, ninguém segura esse vampiro", "Porra, ninguém sabe matar vampiro nessa terra, não?". Não falta muito para termos a seguinte chamada na seção da tarde. "Um vampiro muito louco, aprontando todas com a galera da Transilvânia, em alto clima de azaração com a noiva de Jonathan Harker".

"Vou empalar o autor da próxima releitura" Conde Drácula, em correspondência trazida por Mercúrio a Marcello Zanfra.


3)Momento "Suspeitei desde o princípio"
Os filmes de suspense prezam pela surpresa do espectador, para tanto, os roteiristas buscam criar tramas rocambolescas e cheia de peripécias, a fim de que o público seja constantemente enganado e tendo acesso ao ouro apenas no final, muitas vezes, após os créditos, apenas. Temos, portanto, uma espécie de novela mexicana assustadora, embora a maioria delas já seja, onde em momentos de menor inspiração, o fantasma que matou quase todos, diz com um tom emocionado: "Eu sou seu pai, Felipe Roberto". Até aí, sem problemas, mas, haverá sempre aquele discípulo de Sherlock Holmes, que deste, só possui a prepotência, disposto a falar: "eu já tava mesmo achando que aquele passarinho cuco que apareceu só nos créditos de abertura era o assassino".

"Bem que você suspeitou que eu tava morto é o cacete" Bruce Willis sobre "O sexto sentido" em correspondência trazida pelo carteiro para Marcello Zanfra


4) Velocidade e lugar errado na hora errada
Qualquer um que tenha passado por uma situação que dê medo, seja ela uma tentativa de assalto , ou estar sozinho em casa com a luz apagada correndo para a cama, sabe que o medo tem uma grande vatagem para o homem: ele triplica a velocidade de corrida da pessoa (desconfio que seja por isso que o sinal de largada nas corridas é o disparo de um revólver). Em um filme de terror, portanto, onde está em jogo vida, ou a alma da personagem, qualquer Barrichelo vira um Robson Caetano, nada desses clichês onde os zumbis, seres mais mortos do que vivos, por definição, conseguem correr mais do que alguém desesperado. Não adianta falar que caiu ou tropeçou, na hora da covardia, não há espaço para ficar no chão, a recuperação é mais do que imediata. Ah, e por favor, se o barulho do fantasma vem da cozinha, fique na sala, e vice e versa, não é tão difícil sobeviver se pensarmos assim.

"Na próxima vez a gente liga pro disk pizza, ok?" Zumbi ao ver a velocidade da refeição em desespero.


5) Todo esforço é em vão.
Se um belo dia você perceber que sua vida se transformou, por motivos que até Deus duvida, em um filme de terror, se acalme e aguarde a morte estoicamente. Não adianta criar esperanças, não tire a Samara do poço, não faça aquele experimento místico que você encontrou no livro da Palmirinha. Nada vai dar certo. Um filme de terror tem em média noventa minutos, os cinco finais são dedicados a mostrar que todo o esforço fracassou e a criatura sobenatural venceu. Minha dica: aproveite pra tirar uma com a cara do fantasma, xingue bastante, comente que o time dele perdeu no domingo, em suma, deixe-o bastante irritado para que ele te mate rapidinho. Outra alternativa é se suicidar logo e poupar o tempo de aborrecimento do espectador.
"Belos conselhos" Sêneca sobre essa postagem em mensagem trazida por Mercúrio para Marcello Zanfra


"Até que enfim acabou essa porcaria" Leitor sobre esse texto.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Michel Teló

Não me envolvo em polêmicas. Em conversas, se você quiser perguntar sobre aborto, religião, PM no campus ou qualquer outro assunto que irá suscitar brigas verbais (ou não), saiba que eu me abstenho de comentar. Lido com as questões, da mesma maneira com a qual lido com a comida que recentemente deixou o fogão, deixo esfriar, observando as reações daqueles que agem pelo calor do momento ou pela fome.
Antes de eu comentar, vejamos o que foi dito a respeito dessa pessoa e daquilo que, se não me engano, se chama "Ai se eu te pego".
Reação I


"Que maravilha de Música!!! Muito sucesso para vc, Michel, tudo de bom. O Brasil precisa de artistas como você!!!"
Reação II



"E daí que é uma merda? Pra
dançar com a mulherada está ótimo!!"
Reação III

"Eu gosto de Michel Teló, sim. Minha opinião tem de ser respeitada e ninguém nem nada com isso"
Reação IV


"O que aconteceu com a música verdadeira? Onde está o rock, a MPB e a Bossa Nova? Socorro, Cartola!!"
Reação VI

"Ele, na verdade, representa a cultura popular, uma vez que, cultura é tudo aquilo que se produz, ou, para usar o vocábulo latino, cultiva. Não devemos jamais julgar nosso gosto superior e etc. etc. etc."


E quanto a mim... Sabe que eu esqueci o que eu ia falar...

sábado, 28 de janeiro de 2012

7#Coisas que eu odeio no futebol

O modelo do texto devo ao http://www.puxacachorra.blogspot.com/ que fortemente me influenciou, ainda que o meu seja inferior. Todos sabem que o futebol é uma das grande paixões nacionais, não sem críticas marxistas de alienação, ou trabalhistas devido ao astronômico salário que seus praticantes recebem. Meu posicionamento é de alguem que saboreia tal arte sem se tornar refém, ou chato por isso. E já que o assunto é chatice, eis aqui alguns elementos que me deixam de cabelo em pé quando o assunto é o ludopédio.

1)Religiosidade: Uma das coisas que o catolicismo me ensinou, foi que diante de Deus, todos são iguais. Logo, é lícito supor que, se Deus não tem preferências entre classe social ou sexo, por exemplo, ele não teria preferências por times de futebol. Os jogadores, desde o profissional até a várzea, não pensam assim: logo que podem, rezam um pai nosso pedindo a vitória para eles ou dizem na entrevista pós-jogo que "ganharam graças a Deus". Consigo até imaginar Deus sentado diante da televisão reclamando do infeliz dia em que criou esse juiz que não deu o pênalti para o time que gritou: "PAINOSSOQUEESTÁISNOCÉU..." mais alto que o outro.



Sem palavras...


2)Galvão Bueno em A síndrome do futebol africano: Todos conhecemos o futebol africano: é aquele cheio de promessas de força, velocidade e malandragem. Começa o jogo e leva o primeiro gol, empata em seguida e faz uma dancinha pra comemorar, leva mais dois e acaba o jogo feliz, abraçados com os seus ídolos do time adversário. Galvão, isso não se aplica a todos os times do universo: nem todo mundo sonha em perder para o Brasil, nem todo mundo fica feliz por que levou só três a dois da nossa seleção. Por mais absurdo que pareça, muitos querem ganhar da gente!

3)Galvão Bueno em "Que venha a Argentina!!!": acabamos de ganhar de dois a um na prorrogação da Bolívia, sendo que nosso primeiro gol foi uma falha do goleiro deles. O próximo jogo do campeonato é contra os hermanos e eis que Galvão Bueno grita com uma confiança que sabe Deus de onde ele tirou: "Que venha a Argentina!!". Eu pensava em algo semelhante: "Que venha a Argentina, duvido que nos encontrem escondidos de baixo da cama". Muitas vezes o Brasil realmente ganha, mas enfim...



Poderia ser chamado de Ostra, de tantas pérolas que já nos ofereceu...




4)Maus perdedores: Eu sou a favor do Bulling quando o time adversário perdeu, (é para isso que esse esporte serve!), desde que, quando a situação se inverter, você aceite ser sacaneado. Nada de ficar tentando sabotar a alegria alheia, ok? Perdeu esse jogo? Aceite. Nada de discursinhos do tipo: "Seu time não tem libertadores", "Faz não sei quantos anos que seu time não ganha um título", "O meu tem X Brasileiros, X Libertadores e X mundiais...", "E daí que perdemos, eu amo meu time até o fim!!". Todos sabem que tais afirmações são verdadeiras, mas na hora de levar o dois a zero no domingo, não ajudaram em nada.


Perdeu, perdeu!!



5)Poesia futebolística: Com exceção dos modernistas e de bons compositores, não é qualquer um que consegue fazer poesia sobre o futebol. Peço atenciosamente ao poeta que também apresenta o reality show Grande Irmão que evite coisas do tipo: "Bola rola, chama a grama ao contato dos pés, dispara canhão afetivo, rede balança, vibra a torcida, esquecida dos problemas da vida"



Parceria de Manuel Bandeira e Pedro Bial



6)As uvas verdes do campeonato paulista: Sempre que algum time ganha um campeonato paulista, os invejosos ao redor saem gritando que não ligam para tal competição, que é um título sem expressão, que jamais se importaram com o "Paulistinha". Qual é? Se é tão sem graça, por que vocês jogaram e sua torcida gastou o dinheiro do salário lotando os estádios?




"Nem queria ser campeão mesmo..."



7)Torcedores extra-campo: Sim, agora que para levar mais um dinheirinho os times patrocinam até disputa de bolinha de gude (quem deve estar felíz é o insuportável Esporte Espetacular), é comum ver pessoas acompanhando fórmula 1, carnaval, UFC, e tantos outros dizendo que estão representando seu clube. Se algum time quiser patrocinar minhas traduções do latim, eu aceito.


Mais, fica pra depois. Tá na hora de jogar um pouco.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O dia das bruxas

Quando criança, meu sonho era comemorar o dia das bruxas. Tinha algo nessa festa que, analisando hoje, vejo porque eu gostava: o rebaixamento das abomináveis criaturas das trevas em algo cômico e banal. Entretanto, meu principal motivo de admiração era, e ainda é, a crença no poder transcedental do açúcar. Sim, caros, o açúcar é algo mágico! Duvidam?


Suponha que você é um homem. Desse tipo que até gosta de Clarice Lispector, mas jamais teria um livro dela na sua lista de favoritos (qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência). Você não sabe escolher roupas nem há, para você, gradação na paleta de cores de esmalte que as mulheres usam (existe mais de 8 cores?). Entretanto, aqui começa seu destino trágico: você tem uma amiga que faz aniversário, e você não quer arriscar um livro ou cd, ou por não ser Phd no gosto musical dela ou por vergonha de ter de entrar na fila do caixa com um cd do Luan Santana ou do Jorge Vercilo. O que faz? Chocolate, a bênção de Montezuma.


Essa vale uma tese de doutorado: O açúcar é o pai da gula. Quantas outras coisas (além do sexo e dinheiro) você conhece que são fontes de prazer e de pecados capitais ao mesmo tempo? Tenhamos mais respeito por esse maravilhoso pó branco, que, combinado com outros igualmente indispensáveis para uma vida feliz (falo de sal e farinha de trigo, para aqueles que tem juízos preconceituosos), tornam nosso cotidiano mais alegre.


Isso sem falar que ele é algo que cria semelhanças entre os maiores desafetos políticos: Cuba produz açúcar como ninguém e os EUA consomem açúcar como ninguém (ainda que eu duvide que seja o açúcar de beterraba Fideliano, o consumido nas terras de Obama). Comunismo e capitalismo unidos pela diabete.


Por tudo isso, eu gostaria de mandar o discurso anti-imperialista tapar os ouvidos por alguns instantes e pedir para que celebremos o Halloween. Pensando bem, dane-se as fantasias e apenas me entreguem guloseimas. Quer saber, o Diabo que carregue o Halloween também, e comamos muitos doces todos os dias!!!!




"É você, Satanas? Espera um instantinho que eu já vou servir o jantar: um menino bem gordo. QUEM ESTÁ AÍ?"


"Outro gatooooo"